Epilepsia pode afetar memória e atenção? Entenda os impactos cognitivos 

Saiba como a atividade cerebral, as crises epilépticas e o tratamento podem influenciar o desempenho mental — e como lidar melhor com esses desafios¹ 

Publicado em: 6 de março de 2026  e atualizado em: 26 de março de 2026
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Por que os esquecimentos são mais frequentes em pessoas com epilepsia? 

Muitas pessoas relatam a sensação de que a mente “trava” ou de que informações simples parecem ter desaparecido da memória. Essa é uma queixa frequente. A epilepsia é uma condição neurológica que pode, em alguns casos, estar associada a queixas cognitivas, como alterações na memória, atenção e velocidade de processamento. Esses efeitos não acontecem da mesma forma para todas as pessoas e dependem de múltiplos fatores.1-3 

É importante destacar que nem sempre a memória melhora ao longo do tempo, mesmo com o tratamento adequado. A evolução varia de pessoa para pessoa, e ter uma expectativa realista em relação às possíveis mudanças cognitivas é fundamental para um acompanhamento mais consciente e alinhado com a equipe de saúde. 
 
Por que dificuldades cognitivas podem ocorrer? 

As alterações cognitivas na epilepsia geralmente resultam de uma combinação de fatores, sendo alguns deles: 

  • Localização das crises: crises envolvendo o lobo temporal, região importante para a memória, podem impactar a formação de novas lembranças.¹ 
  • Frequência das crises: crises repetidas podem interferir temporariamente no funcionamento cerebral.¹ 
  • Atividade epileptiforme interictal: são descargas elétricas que não causam crises epilépticas visíveis, mas também podem, em alguns casos, afetar atenção e desempenho mental.¹ 
  • Tratamento medicamentoso: alguns fármacos anticrise (FACs) podem causar sonolência ou lentidão psicomotora, especialmente em doses mais altas ou em combinação com outros medicamentos.1-4 

O que acontece após uma crise? 

Após uma crise epiléptica, é comum ocorrer um período chamado fase pós-ictal, caracterizado por cansaço, confusão ou dificuldade de concentração. Esse período, geralmente, dura minutos a horas, variando conforme o tipo de crise e o perfil individual.¹

Entenda o papel dos fármacos anticrise (FACs) 

Os fármacos anticrise são fundamentais para proteger o cérebro e reduzir o risco de novas crises. O objetivo do tratamento é encontrar o melhor equilíbrio entre controle das crises e tolerabilidade cognitiva. 

Os fármacos podem impactar a cognição de formas diferentes, e é importante considerar essas diferenças. Alguns apresentam efeito cognitivo dose-dependente, em que doses mais altas podem estar associadas a maior impacto em memória e atenção. A politerapia (uso de dois ou mais medicamentos) também pode aumentar a chance de efeitos cognitivos. Além disso, existem fármacos com maior perfil de impacto cognitivo, especialmente em determinados contextos clínicos. 

Caso surjam dificuldades persistentes de memória ou atenção, é importante relatar ao neurologista para possível ajuste terapêutico.²,4 

Nunca interrompa ou altere a medicação por conta própria! 

Estratégias para lidar com dificuldades cognitivas 

As dificuldades de memória e atenção na epilepsia são reais e algumas medidas podem ajudar:

  • Manter controle adequado das crises; 
  • Dormir regularmente; 
  • Reduzir estresse; 
  • Utilizar agendas e lembretes digitais; 
  • Considerar avaliação neuropsicológica quando necessário.  

 A avaliação especializada pode identificar áreas preservadas e áreas que precisam de suporte específico.² 

Mensagem importante 

Nem todas as pessoas com epilepsia apresentam dificuldades cognitivas. Quando elas ocorrem, geralmente são manejáveis com acompanhamento médico adequado e estratégias de apoio. Para mais informações, consulte um profissional de confiança. 
 
Referências: 

Cognitive Impairment in Epilepsy: Mechanisms and Management. Front Neurol. 2023. 
Liga Brasileira de Epilepsia. Epilepsia Prática. 2024. 
Epilepsy Action. Memory problems and epilepsy. 2024. 
Helmstaedter C, Witt JA. Cognitive outcome of antiepileptic treatment and epilepsy surgery. Epilepsia. 2017;58(Suppl 1):31–39. 

Este material tem caráter meramente informativo. Não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico ou automedicação. Em caso de dúvidas, consulte sempre seu médico.
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